Ataques contra a minoria cristã aumentam no Egito

Igrejas, casas, escolas e até lojas de cristãos foram destruídas em várias partes do país. Papa copta apoiou golpe contra membro da Irmandade Muçulmana

A igreja copta de Minya, ao sul do Cairo, depois de ser incendiada
A igreja copta de Minya, ao sul do Cairo, após incêndio (Virginie Nguyen Hoang / AFP)

Vítima de constantes perseguições na história recente do Egito, a minoria cristã do país passou a sofrer com ataques ainda mais frequentes após a queda de Mohamed Mursi  . Acusados de apoiar o golpe militar contra o ex-presidente, os cristãos se tornaram um dos principais alvos dos radicais islâmicos. A intolerância se intensificou a partir da última semana, quando forças de segurança fizeram uma operação para desocupar duas praças tomadas por manifestantes pró-Mursi no Cairo, deixando centenas de mortos . Em represália pela carnificina, os islamitas voltaram sua fúria contra alvos cristãos: igrejas foram incendiadas, casas, lojas e escolas foram destruídas, além de clubes de jovens e pelo menos um orfanato. Estabelecimentos de propriedade de cristãos foram marcados com um “x”.

A princípio, líderes da Irmandade Muçulmana incentivaram ou toleraram a perseguição contra os cristãos, mas depois passaram a condenar os ataques. O governo interino, apoiado pelos militares, que pouco fez para proteger a minoria religiosa, agora tenta capitalizar com a imagem de igrejas incendiadas para chamar os membros da Irmandade de terroristas, ressaltou o jornal

Números – Os cristãos correspondem a quase 10% dos 85 milhões de egípcios – uma minoria que engloba uma multidão de mais de 8 milhões de pessoas. Outros grupos cristãos formam apenas 1%. A maior parte da população egípcia, mais de 80%, é formada por muçulmanos sunitas. Os coptas se consideram descendentes dos habitantes originais do Egito antigo, que começaram a adotar a nascente religião cristã por obra de São Marcos. Com a posterior ascensão de uma religião concorrente, a muçulmana, trazida por tribos árabes, os coptas tornaram-se uma minoria discriminada. Os confrontos ocorrem periodicamente, em especial no sul, região mais pobre, mas os ataques registrados nos últimos dias são os piores em anos.

(Com Veja Conteúdo)

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