Crente pode participar de manifestações ?

Anderson Bravo,casado com Edijane Bravo, pai de Anderson filho e Lyon Bravo. Escritor, conferencista internacional,pastor auxiliar na Assembléia de Deus Ministério Plena Unção

Anderson Bravo,casado com Edijane Bravo,
pai de Anderson filho e Lyon Bravo. Escritor,
conferencista internacional,pastor auxiliar
na Assembléia de Deus Ministério Plena Unção

Nas últimas semanas a imprensa não trata de outro assunto, senão os protestos que tomaram conta do país. O que se vê nas capas de jornais e revistas, na internet, chamadas de telejornais, são as manifestações nas ruas do Brasil.

Mas e o que o cristão tem a ver com isso? Talvez alguns indaguem, embasados no pensamento cristão de que todos estes problemas são “espirituais”. Não há dúvida que a maioria dos problemas que assolam uma pessoa pode ter mesmo uma raiz espiritual, quando absolutamente tudo na vida de uma pessoa parece dar errado. Todavia, nem sempre podemos atribuir determinadas  mazelas, como corrupção no país, impostos altos, preços subindo, desemprego, hospitais lotados, etc, a fatores espirituais.

Será que diante das atitudes errôneas, que prejudicam a nação, seja na natureza ou na administração pública, o cristão deve cruzar os braços e “entregar nas mão de Deus”, pois Ele “sabe de tudo”?!

Seria Jesus considerado então um “agitador”, por expulsar os vendilhões do templo, de forma nada discreta? Jesus não estava irado, ou com ódio no coração, mas indignado, com uma situação errada. E indignação é um sentimento totalmente diferente de ódio, ira, ou falta de perdão. Você pode até perdoar, mas não deixará de sentir o natural sentimento de indignação diante daquilo que está errado! E somos convidados, pelo apóstolo Paulo, a sermos imitadores de Cristo. “Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo”. (1º Coríntios 11:1)

Partindo deste princípio, de orar e também agir, é que as manifestações pacíficas, sem vandalismo, sem destruição do patrimônio público, é que são válidas, e mais: são a identidade do protestante, que se origina no termo protesto, contra o erro, a injustiça, a desigualdade. O grande movimento pelos direitos civis nos EUA, era liderado pelo pastor Martin Luther King Jr. A Reforma Protestante iniciou com Martinho Lutero, protestando contra a venda de indulgências e outros erros. Estes homens tornaram-se referências as reivindicações àquilo que é de direito, da voz calada da população, do sofrimento da nação com inúmeras injustiças na área social. Agora, o povo brasileiro começa a sair da caverna, a sair do Egito, e erguer a voz contra o pecado dos homens que nos representam, que nós os elegemos e os colocamos lá. O povo está cansado só de cobranças, cobranças e mais cobranças. Inúmeros impostos, bilhões arrecadados, e o povo sofrendo. Se você não pagar uma conta, você é cobrado. Agora chegou a vez de cobrar deles.

 “A Reforma Protestante só foi vitoriosa porque houve discussões. Se fosse correta a opinião de certas pessoas que amam a paz acima de tudo, nunca teríamos tido a Reforma. Por amor à paz deveríamos adorar a virgem Maria e nos curvar diante de imagens e relíquias até o dia de hoje. O apóstolo Paulo foi a personalidade mais agitadora em todo o livro de Atos, e por isso foi espancado com varas, apedrejado e deixado como morto, acorrentado e lançado na prisão, arrastado diante das autoridades, e só por pouco escapou de uma tentativa de assassinato. Suas convicções eram tão decididas que os judeus incrédulos de Tessalônica se queixaram: “Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui” (At 17.6). Deus tenha misericórdia dos pastores cujo alvo principal é o crescimento das suas organizações e a manutenção da paz e da harmonia. Eles até poderão fugir das polêmicas, mas não escaparão do tribunal de Cristo”. John Charles Ryle

 “Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma”(Tiago 2:15-17)

 Então a resposta é: Sim!, o cristão pode e deve participar da vida do seu país. Não temos nada contra as manifestações pacificas, desde que sejam pacificas. O movimento reinvidica melhorias para o povo brasileiro, e isso é muito válido.

Como povo de Deus, devemos ser “inconformados” com o mundo, o sistema do mal (Romanos 12.1,2; I João 2.15-17; 5.19). Esse posicionamento não deixa de ser uma forma de protesto!  Os profetas protestaram contra pecados e problemas sociais dos seus dias, alguns até morrendo por isso (Neemias 9.26; Lucas 13.34). O Senhor Jesus também protestou (Mateus 21.12).

 Além de “crentes”, “cristãos”, “evangélicos”, também somos chamados de “protestantes”, ou seja, aqueles que protestam. Esse último título remete à Reforma Protestante

Seria muita hipocrisia viver a vida, como se nada estivesse ocorrendo.

Deve se protestar contra atitudes, não contra pessoas nem contra seus bens. Mas, o ato de protestar não nos isenta de amar as pessoas que estão no mundo (João 3.16; Mateus 5.43-48). Aí é que estar a grande diferença, pois amar também se traduz por tratar bem, cuidar, assistir, respeitar e se necessário, se “engajar” em causas nobres.

 Depredar, destruir, infringir leis e praticar vandalismo não são  práticas saudáveis de pessoas de bem. Como verdadeiros cristãos, devemos também respeitar (honrar) todas as autoridades constituídas (Romanos 13.1-7). Desde que as manifestações deixem de ser pacificas, o cristão não deve se envolver. O Israel do Antigo Testamento conquistou a paz com muita briga, mas nós do Novo Testamento entendemos melhor e não devemos fazer assim. Cristão não deve estar envolvido em arruaças, ou depredações, ou xingamentos, ou ferir alguém do modo que for.

Sedo assim, participe de modo ordeiro, mas faça parte da história do seu pais.

Deixe seu legado

Deus a todos abençoe

Anderson Bravo,pastor

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