FIÉIS INFIÉIS

Ministro do Evangelho , pastor auxiliar da ADIG
(Assembleia de Deus na Ilha do Governador)
Conferencista Internacional
casado com a cantora Mízi Lenne, pai de Três filhos.

Tudo que um pastor quer de suas ovelhas é fidelidade. Fidelidade à igreja; fidelidade aos ensinamentos transmitidos; fidelidade aos costumes praticados por sua comunidade religiosa; e, para quem quer ir para o “DEZ”: fidelidade à própria pessoa do pastor.

“Bem-aventurado” é o pastor que tem ao seu lado um Josué que acampa fora da tenda, à espera do seu pastor para servi-lo.

As demandas ministeriais são muitas e os pastores, geralmente, lutam contra essas demandas no campo da solidão. Assim como os comandantes militares na guerra, pastores são homens solitários. Isso é chamado de “A solidão do comando”.
Sempre sozinhos, quando “agraciados” por um(a) fiel companheiro(a) ao seu lado, disposto e disponível, os pastores literalmente se lambuzam e abusam. (Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza – ditado popular). Poucos são os pastores que sabem liberar os seus Josués para que estes deem atenção às suas próprias demandas, como por exemplo, as das suas famílias; até porque, muitos são os pastores que, em prol do dito bem da obra, também deixaram, e ainda deixam, a desejar com suas esposas e filhos. Esse é o resultado da máxima ministerial que diz “sofra eu e a minha família, mas não sofra a OBRA DE DEUS”.

Moisés abandonou sua família em prol da obra de Deus (Ex 18.5-6) e isso lhe custou caro. Josué seguia o mesmo caminho e exemplo até que, felizmente, no auge de sua maturidade, depois de ser repreendido pelo próprio Deus, ele abraça sua família e reassume a liderança espiritual dela, incluindo-a nos planos salvíficos de Cristo dizendo: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” – Js 24.15b.

O que mudou de lá para cá? Quase nada. Líderes continuam na solidão do comando sonhando ter liderados que doem as suas vidas para suprir suas carências emocionais. Maldosamente, há alguns que até usam as palavras de Jesus, em Mt 10.37, para “comprar” tal devoção dos seus liderados.
“Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim” – Mt 10.37

Assim como eu, você já sentiu vergonha por não dar mais de si para a “obra de Deus”? Alguma vez, você já procurou seu pastor para se explicar ou se justificar por não estar tão empenhado nas coisas da igreja? Se já, você se enquadra na grande estatística de evangélicos que pensam (ou já pensaram) que são escravos da obra e dos seus pastores e, por isso, sempre se sentem devendo. Está na hora de corrigirmos essa questão.

Primeiro, é importante lembrar, aos pastores que usam Mt 10.37 como argumento para forçar os crentes a largarem tudo em prol da dita obra de Deus (ou seria melhor dizer, em prol dos caprichos dos próprios pastores?), que eles não são Jesus, nem Deus. Eles são apenas homens. Por Jesus e por Deus, nós largamos tudo mesmo. Deus deve estar sempre em primeiro lugar. A Ele todas as nossas forças (Dt 6.5-6; Mc 12.28-34). Mas, é importante pautar, que Ele nunca exigiu que desprezássemos nossas casas por Ele (1Jo 4.20). O que Jesus nos exigiu, em Mt 10.37, é que ninguém nesse mundo nos sirva de desculpa para largarmos a fé.

De acordo com a primeira e a segunda regra da hermenêutica, para bem entendermos o que o Senhor espera de nós em termos de devoção eclesiástica, quanto à sua posição em relação à família, precisaremos examinar tudo o que as Escrituras dizem sobre o assunto, por isso separei alguns textos bem claros que por si só, já nos darão o perfeito entendimento sobre a questão.

“O solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor; mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher. Há diferença entre a mulher casada e a virgem: a solteira cuida das coisas do Senhor para ser santa, tanto no corpo como no espírito; porém a casada cuida das coisas do mundo, em como há de agradar ao marido” – 1Co 7.32-34
“Também quando uma mulher fizer voto ao SENHOR… se seu pai se opuser no dia em que tal ouvir, todos os seus votos e as suas obrigações, com que tiver ligado a sua alma, não serão válidos; mas o SENHOR lho perdoará, porquanto seu pai lhos vedou. E, se ela tiver marido… Mas, se seu marido lho vedar no dia em que o ouvir e anular o seu voto a que estava obrigada, como também a declaração dos seus lábios, com que ligou a sua alma, o SENHOR lho perdoará.” – Dt 30.3-8 (trechos).
“Se me amardes, guardareis os meus mandamentos” – Jo 14.14
O que esses textos sugerem? Que Deus tem ciúmes do cuidado que devo ter com minha família? Claro que não! Pelo contrário! Deus exige que eu priorize minha casa e minha família acima de qualquer outra obrigação, seja ela eclesiástica ou não. Os que perdem suas famílias, ou ao menos a prejudicam, sob a desculpa de estarem fazendo a obra de Deus, na verdade estão pecando contra a Palavra. Quem peca contra a Palavra jamais estará envolvido na verdadeira obra de Deus. Quem peca contra a Palavra está a serviço do próprio diabo, pois este sim não se firmou na verdade, peca desde o princípio e não consegue discernir as coisas de Deus, só as dos homens (Jo 8.44, Mt 16.23).

Chega de vermos vidas destruídas por causa dos caprichos de pastores e líderes exploradores, emocionalmente doentes, que forçam o sacrifício de seus liderados e os põem contra suas próprias casas. Déspotas envenenados pela mentira.

Sei que alguns desses tiranos, assim o são por ignorância, porque fizeram a mesma loucura por outros que vieram antes deles. Eles dizem: “Eu fiz isso a vida toda. É o preço da obra”. Não é a toa que tantos filhos de pastores estão agora desviados do Evangelho e até odeiam a igreja e seus pais.

Outros desses déspotas, assim o são, porque queriam a qualquer custo um reino todo seu. Para alguns, como Abimeleque (Jz 9.1-6), a morte de toda sua casa é um preço que se vale a pena pagar pelo poder de controlar pessoas. Esse é o espírito de Herodes (o Grande) que assassinou sua esposa Mariana e mandou degolar dois de seus filhos, acusados de sedição, com medo de perder o poder.

Veja essa carta. É uma história real.

“Recentemente meus pais se divorciaram. Isso aconteceu porque minha mãe sempre foi orientada que deveria largar tudo para fazer a obra de Deus. Agindo assim o casamento foi se desestruturando e acabou chegando ao fim. Foi Deus quem acabou mesmo com o casamento dos meus pais?”

O que eu devo responder para essa pessoa? Deus é mesmo o culpado pelo fim do casamento dos seus pais? Quem orientou essa mulher a abandonar sua casa em prol da obra de Deus, fez isso com o consentimento do Altíssimo? Não! É óbvio que não!

Deus jamais exigiu (ou exigiria) o sacrifício de um casamento em prol da sua obra ou sua Igreja. Jesus já morreu pela Igreja. Nenhum outro “sacrifício” é necessário. Qualquer orientação contra essa verdade não passa de uma profetada arquitetada pelo coração do próprio Satanás.

Meu trabalho, ou ministério, não pode competir com a minha família. “Família é o meu maior patrimônio. Nenhum sucesso justifica o fracasso de uma família” [Pr Josué Gonçalves]. Por isso eu digo que os fiéis de nossa igreja, que perdem suas famílias por causa da obra, são os verdadeiros infiéis.

“Mas, se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel” – 1Tm 5.18
Pr Jean Max

Deixe uma resposta