QUANDO O DINHEIRO VIRA UM dEUS

Disse ele: Sim. Ao entrar Pedro em casa, Jesus se antecipou perguntando: – Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra imposto ou tributo? Dos seus filhos ou dos alheios? Quando ele mesmo respondeu: Dos alheios – disse-lhe Jesus. “Logo, são isentos os filhos. Mas, par

Pastor, casado pai de 4 filhos, teólogo, Compositor e Intérprete

a que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir e, abrindo-lhe a boca, encontrarás um estáter; toma-o, e dá-lho por mim e por ti. (Mateus, 17:25-27)

“Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Mt., 6.24; RC).

 

A palavra traduzida aqui como Dinheiro (com letra maiúscula) ou riquezas em algumas vezes, no original é “Mamom”, um termo de origem hebraica que significa dinheiro, riquezas ou bens materiais. Jesus a utiliza em seu sermão para nos mostrar que o dinheiro é mais do que uma moeda, ele é um deus, o deus mais adorado nessa geração.

No altar do deus e ao morrer por ele, na ilusão de que ele possa lhes fazer feliz, o dinheiro tem sido motivo de contendas, guerras e conflitos no coração do homem, na família, na sociedade e entre as nações. O dinheiro em si é apenas uma moeda de compra e troca. Porém, o amor ao Dinheiro é a raiz de todos os males (1 Timóteo, 6:10), e aqueles que querem ficar ricos, caem em muitas ciladas e entregam a alma a muitas fadigas e tribulações.

O problema não é possuir o dinheiro, mas ser possuído por ele. O problema não é o dinheiro, mas o amor a ele. O dinheiro é um bom servo e um péssimo patrão. Devemos usar o dinheiro em vez de sermos usados por ele. A ganância é um pecado horrendo aos olhos de Deus. Pela ganância, as pessoas roubam, sentem inveja e cobiçam o que pertence a outros. Sentem infelizes com o que têm e insatisfeitas pelo que não têm (Hebreus, 13:5). Fazem dele um ídolo, para descobrir que no altar de Mamom não estão as pessoas de bem, mas vítimas de um imenso vazio e herdeiros de uma terrível angústia.

Jesus deixa muito claro: Vocês NÃO podem servir a Deus e a Mamom. Contudo, muitos tentam esta conciliação impossível: Servem a Deus aos domingos e a Mamom durante a semana toda; Servem a Deus com os lábios e a Mamom com o coração; Servem a Deus na aparência e a Mamom realidade.

Quando o dinheiro é Mamom (deus)?

1) Quando você não respeita limites para conseguir o dinheiro. Quando somos servos do dinheiro e é ele que vai mandar e ditar nossas atitudes – gente que falsifica, engana, trapaceia, passa cheque sem fundo sabendo que não tem dinheiro para cobrir. “Para rir se fazem banquetes, e o vinho produz alegria, e por tudo o dinheiro responde” (Eclesiastes 10:19). A riqueza de procedência vã diminuirá, mas quem a ajunta com o próprio trabalho a aumentará.

Em provérbios, 13:11, encontramos a seguinte verdade: Muitos indivíduos seduzidos pela fascinação das riquezas transigem com seus valores amordaçam a consciência e ser curvam aos apelos do lucro ilícitos. O dinheiro se tornou o senhor de escravos da atualidade.

2) Quando você vive o conflito de relacionamento por causa do dinheiro: “e o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda” (Lucas, 15:12). Famílias sendo destruídas por causa do dinheiro, maridos e esposas, casamentos que se baseiam no que se tem e não no que se é. Filhos extravagantes, gente que virou inimigo por causa de herança, amigos que se transformaram em inimigos mortais por causa do dinheiro: quando se chega a esse ponto, ele virou o deus em sua vida.

3) Quando as atitudes são consumista: “A sanguessuga tem duas filhas: Dá e Dá. Estas três coisas nunca se fartam; e com a quarta, nunca dizem: Basta!” (Provérbios, 30:15). Depende das coisas para ser feliz, troca de carro, de relógio, sapatos, roupas; nunca se dá por satisfeito, suprido; sempre um desejo de autoafirmação pelas coisas que possui: ter 30 pares de sapatos, 50 vestidos, 20 bolsas, 40 ternos, 100 gravatas, uma coleção de perfume – na verdade, não é você que os tem, são eles que têm a você.

Deus não é contra você ter em abundância. Passa ser Mamom na vida quando vira um consumismo sem precedente (Joel, 1.4).

4) Quando você avalia as pessoas pelas posses: “E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui” (Lucas, 12:15). Pela grife, pela bolsa, pelo relógio, pelo carro, pelo aparelho nos dentes, pela escova progressiva, pelos lugares que frequenta. Pelo o nível de escolaridades, pelos status. Quando a vida é vista neste clichê, o deus Mamom incute na mente, quem vale a pena e quem não vale a pena ser irmão, amigo ou colega. Você não é pelo que possui e sim pelo que de fato é.

5) Quando se perde a autenticidade: Quando se atende à demanda do mercado, quando o ridículo está em moda, não importa, queremos nos sentir parte de uma sociedade, que vai ditando como temos que nos vestir, como tem que ser para ser aceito. Aí, vem os jogadores, as atrizes e a tevê dizendo o que você tem que se transforma para ser igual a eles e como deve ser a sua autoimagem. “E reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos. Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade?” (Atos, 5:2-3).

6) Quando se valoriza as pessoas pela aparência: a cor da pele. Todos os seres humanos, independente de cor ou raça, somos diante de Deus todos iguais. “Na verdade, todo homem anda numa vã aparência; em vão se inquietam; amontoam riquezas, e não sabem quem as levará” (Salmos, 39.6). Existem pessoas cheias de dinheiro mais é o que somente têm.

7) Quando há o sono da ociosidade, o faz viver de esperteza. Quer ser rico para não trabalha: “A preguiça faz cair em profundo sono, e a alma indolente padecerá fome” (Provérbios, 19:15). Os programas de tevê que oferece dinheiro e fama, em 30 segundo, na verdade promove ociosidade, agora a nova onda ostentação: ter as coisas e muito dinheiro sem precisar ter que trabalhar. É só ser criativo com uma música bizarra, apelativa que faça sucesso será o suficiente.

8) Quando você não desapega: O deus Mamom tem feito muita gente ficar mesquinha, avarenta. O marido não se preocupa com a esposa, é sempre tudo de segunda, sempre na pechincha, sempre o rescaldo do que sobrou: a mulher não sabe quanto ele ganha, por outro lado, ele não sebe em que ela gasta – dentadura colada com Durapox; no sapato, o salto já se foi. A comida é sempre aquela que foi cozida, mas que dá para requentar e aproveitar por dias a fins. “O que agir com avareza perturba a sua casa, mas o que odeia presentes viverá” (Provérbios, 15:27). “Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura” (Marcos, 7:22). Deus deseja saciar a alma do generoso. Desapega, porque homem não pode levar nada.

Ilustração: Os 3 últimos desejos de ALEXANDRE, O GRANDE: 1) Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época; 2) Que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados como prata, ouro e pedras preciosas; 3) Que as suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a ALEXANDRE quais as razões destes pedidos e ele explicou: 1- Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles NÃO têm poder de cura perante a morte; 2- Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados aqui permanecem; 3 – Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos. “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nesta cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1 Timóteo, 6:10)

9) Quando não se sabe distinguir o preço do valor: o preço objetivamente é o que se dá a um produto – colocando uma etiqueta de preço ele vale pelo que pesa, pelo que é, e por quem pode pagar. O valor é subjetivo. O mesmo relógio que você usar tem um valor e preço diferente do relojoeiro. Por exemplo, alguém resolveu em 10 minutos uma situação que poderia levar um dia, e na hora de cobrar, o cliente reclamou dizendo que em 10 minutos ele resolveu: como pode cobrar um preço desses? Retrucou o especialista: “eu gastei 10 minutos porque levei uma vida inteira para poder em 10 minutos resolver o que eu resolveria em dia”.

No dicionário — e muitas vezes na linguagem coloquial — valor é entendido como sinônimo de preço. Mas a diferença é brutal. Preço é o que tiram de você por comprar algo. Valor é o que lhe acrescenta quando você adquire algo. Valor é pessoal, é relativo ao sujeito, é subjetivo. Valor tem a ver com relevância. E isso não pode ser medido pela descrição que está na caixa do produto.

“Aqueles que confiam na sua fazenda, e se gloriam na multidão das suas riquezas. Nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão ou dar a Deus o resgate dele. (Pois a redenção da sua alma é caríssima, e cessará para sempre)” (Salmos, 49:6-8).

“O valor pago, sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (1 Pedro, 1:18-19).

Conclusão: Ao ouvir um amigo pastor, Davi Valcasio, pregar sobre esta passagem, ele no seu sermão disse que tem muita gente engasgada com dinheiro, e Deus falou ao meu coração “não brigue por dinheiro, abra mão de tudo por amor a mim”.

“E deitares o teu tesouro no pó, e o ouro de Ofir nas pedras dos ribeiros. Então, o Todo-Poderoso será o teu tesouro e a tua prata acumulada. Porque então te deleitarás no Todo-Poderoso, e levantarás o teu rosto para Deus. Orarás a ele, e ele te ouvirá, e pagarás os teus votos. Determinarás tu algum negócio, e ser-te-á firme, e a luz brilhará em teus caminhos” (Jó, 22:24-28).

Pr. Marcos Fernandes 

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